O impressionismo e surrealismo dos 8 bits

Depois de escrever o post “Porque o NES soa tão melhor que o Master System?” comecei a me perguntar por que gosto tanto dos gráficos e som de “baixa qualidade” (muitas aspas aqui) dos consoles de 8 e 16 bits, já que os consoles mais recentes, como o PS3, XBOX 360, Wii, PS4, etc, contam com imagem e sons ‘realistas’ ao invés de imitações sintetizadas? Seria saudosismo, masoquismo ou insanidade? Nenhum destes? talvez um pouco de cada (a arte é assim mesmo, relaxe).

A analogia

Farei uma analogia usando as duas imagens a seguir:  a primeira é uma famosa obra impressionista do pintor Vincent Van Gogh, “The Starry Night” (ou “A noite estrelada”), a segunda uma arte renderizada por computador de autoria desconhecida.

A pintura de Van Gogh é cheia e pinceladas protuberantes, grosseiras, e com a quantidade de cores limitada à aquarela do autor, de forma análoga às limitações técnicas dos chips gráficos e de som dos consoles antigos de 8 de 16 bits.

Van-Gogh-Starry-Nights

Pintura impressionista “A Noite estrelada” de Vincent Van Gogh

A imagem a seguir representa o mesmo objeto, um céu estrelado, desta vez renderizado por computador: as cores e alta definição a tornam muito mais próximas da realidade, embora com uma beleza e charme etéreo diferentes, tais quais as imagens e sons dos quais os consoles modernos são capazes de gerar.

Noite estrelada renderizada

Uma noite estrelada renderizada

Ambas as interpretações são válidas e muito diferentes, e é improvável que alguém diga que não gosta da obra de Van Gogh pelo seu estilo de ser, AHEM, “limitado”, com poucas cores e baixa resolução. Ela é a interpretação do pintor dentro do seu estilo, assim como “The Legend Of Zelda” foi a interpretação de Hyrule por Shigeru Miyamoto dentro do estilo compatível com o hardware.

A conclusão

As limitações técnicas dos consoles antigos geram lacunas que dão espaço para a imaginação. Quando comecei a tocar guitarra eu adorava ‘preencher as lacunas’ com criatividade, eu fazia minhas próprias versões das música de jogos como Megaman 2 e 3 do NES, e Megaman X do SNES (meus preferidos da franquia). Isto fez de mim um músico (não profissional) melhor, como quando treinei ligadura (ou hammer-on e pull-off) e chicken-picking para poder tocar as rápidas tríades do tema do Storm Eagle do Megaman X, ou quando tive que estudar os modos gregos (ou escalas gregas) para fazer a harmonia de guitarra do tema do castelo do Dr.Wily do Megaman 3.

Hoje em dia a acurácia gráfica e sonora dos jogos modernos é tanta que talvez sobra pouco espaço para minha imaginação fluir. Não me sinto compelido a, por exemplo, fazer arranjos e gravar minhas interpretações das músicas de Devil May Cry. Talvez eu esteja ficando velho, talvez eu esteja projetando, mas certamente prefiro os impressionistas e surrealistas aos realistas.

O bônus

A seguir, minhas interpretações, gravadas nas coxas há muitos anos, de alguns temas do Megaman 2, Megaman 3 e Megaman X em versão METAL.

FALOU!

:*

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2 Comentários

  1. Megaman! \o_

  2. Ei cara, tu tem que fazer outras versões dessas músicas do Megaman!


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